Curta o Paulistana no Facebook



"Corrente de solidariedade" ajudou haitianos, diz padre responsável

Posted on
  • sábado, 3 de maio de 2014
  • by
  • Redação
  • in
  • Marcadores:
  • Paolo Parise, entretanto, não sabe se mais imigrantes estão a caminho de SP; "nem o governo sabe"

    Segundo Parise, doações têm chegado "a todo
    o tempo" para os haitianos. Foto: Divulgação
    Por Arthur Gandini, do SG Mídia

    Uma "corrente de solidariedade" ajudou os haitianos que chegaram a São Paulo (SP) vindos do Acre nos últimos dias. A afirmação foi dada neste sábado (3) por Paolo Parise, padre que tem cuidado dos imigrantes por meio da Missão Paz, movimento da Igreja Católica que auxilia imigrantes.

    "Foi uma corrida, uma corrente de solidariedade incrível. Doações chegaram ontem (02) a todo tempo", afirmou.

    Os imigrantes haitianos tem entrado desde o começo do mês passado no Brasil pela fronteira do Acre e foram enviados pelo governo do estado a São Paulo, devido à federação estar sofrendo problemas com chuvas, de modo que haitianos chegaram até a ficar ilhados.

    O envio dos haitianos não foi comunicado à prefeitura de São Paulo e ao governo do estado de São Paulo, entretanto, e os estrangeiros acabaram de ter de ser acomodados na Casa do Migrante e Igreja Nossa Senhora da Paz, onde Parise celebra missas e é diretor do seu CEM (Centro de Estudos Migratórios).

    O padre começou então a pressionar a prefeitura e o governo do estado por ajuda, passou os últimos dias conversando com jornalistas e compareceu na última quinta-feira (1º) ao evento promovido pela Força Sindical para comemorar o Dia do Trabalho. Pediu ao ministro do Trabalho, Manoel Dias, que o governo federal ajudasse a resolver a situação dos imigrantes.

    Um mutirão para seção de documentos do ministério do Trabalho se somou a ajuda da prefeitura e do estado com a emissão das carteiras, seção de novos abrigos e tickets para refeição nos restaurantes Bom Prato.

    Haitianos tiveram que ser abrigados em igreja no bairro Glicério, no centro de São Paulo. Foto: Alexandre Moreira
    Padre Paolo comemora a diminuição de haitianos ainda no abrigo. "Muitos já estão trabalhando. Nós até pedimos para suspender as doações". Entretanto, ele não sabe se mais imigrantes estão a caminho da cidade. "Nem o governo (prefeitura e governo do estado) sabe".

    As secretarias do governo de São Paulo e do Acre trocaram críticas na última semana sobre todo o caso. Enquanto a primeira criticou o envio dos imigrantes sem aviso, o governo acriano o paulista de fazer críticas por ter preconceito em relação aos haitianos.

    Também afirmou que o Acre estava sem condições de atender os haitianos por causa dos problemas com chuvas em cidades como Brasileia, devido à cheia do Rio Madeira.

    "Uma vida melhor"

    Imigrantes do Haiti tem viajado para o Brasil após o terremoto que abalou o país em 2010 e piorou as condições de vida na região. Os imigrantes entrar no Brasil pela fronteira do Acre e depois se transferem para São Paulo, Cuiabá (MT) ou para o sul, onde muitas vezes familiares já lhes esperam.

    "Minha Casa foi destruída no terremoto e estou buscando uma vida melhor", afirma Dieufait Salvarj, que está há três meses no Brasil.

    Salvarj foi contratado para trabalhar como pedreiro em uma empresa de obras. Vai participar da reforma do estádio do Ituano, em Itu (SP), e ainda tem dificuldade de falar português.

    "Lá (no Haiti) não tem emprego suficiente. Somos (nós haitianos) um grupo que trabalha bem e têm força para trabalhar".

    O governo brasileiro concede aos haitianos o visto humanitário, pelo qual os imigrantes têm o direito de trabalhar e estudar no país, além de ter acesso aos mesmos serviços públicos que os brasileiros, como SUS (Sistema Unificado de Saúde).

    Salvarj ainda espera conseguir novos empregos e ter condições de trazer o resto de sua família para o Brasil.

    A Missão Paz, segundo informações do site oficial, tem o objetivo de fazer um trabalho "além do assistencialismo" que alcance a "construção de um mundo mais solidário e justo, fomentando a igualdade de direitos de todos os homens e todas as mulheres, independente da etnia, crença e cultura."

    A entidade é vinculada aos Missionários de São Carlos Borromeu, ordem da Igreja Católica que faz a evangelização entre imigrantes e refugiados.

    *Com informações da Agência Brasil