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Bispo diz que é errado frequentar missas da Igreja Católica Brasileira

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  • segunda-feira, 23 de março de 2015
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  • Dom Manuel Parrado, de São Miguel Paulista, comentou mensagem do arcebispo

    Declaração foi dada após a Crisma de jovens em paróquia. Foto Anderson Lisboa

    Por Arthur Gandini

    Católicos romanos irem a missas da ICAB (Igreja Católica Apostólica Brasileira) é errado. Quem disse isso ao Paulistana no último domingo (22) foi o bispo diocesano de São Miguel Paulista, Dom Manuel Parrado Carral.

    "Você tem que fazer uma opção. Ou você é católico romano, ou você é da dissidência da Igreja Católica Apostólica Brasileira", disse à reportagem na sacristia da paróquia Nossa Senhora do Carmo, no centro de Itaquera, após crismar 69 jovens.

    Dom Manuel deu a declaração ao comentar postagem do arcebispo metropolitano, Dom Odilo Scherer, no Facebook no dia anterior.

    O cardeal alertou para reportagem exibida na TV Globo. "Acontece que a igreja presente no CTN não é a Igreja Católica Apostólica Romana, e sim a Igreja Católica Brasileira, que não está em comunhão com o Papa. É importante que nosso povo saiba dessa informação para não se confundir e cair em erros", disse.

    Para o bispo de São Miguel Paulistana, a confusão entre as igrejas não é frequente, mesmo com ritos semelhantes.

    “Já aconteceu mais. Acho que os católicos estão hoje mais esclarecidos em relação à sua Igreja do que há 30, 40 anos. Todas as Igrejas (Católicas) brasileiras copiam o rito romano. Mas o importante é nós temos um discernimento daquilo que é nosso e aquilo que não é", afirmou.

    Em 2011, o bispo assinou com Dom Odilo e outros bispos da região manifesto que alertava para a confusão entre as igrejas. O texto falava sobre comunidades "não unidas ao Papa e aos bispos em comunhão com ele", a simulação de sacramentos "como fonte de lucro" e pedia aos fiéis para "se manterem firmes na fé da Igreja."

    Entenda as diferenças

    A Igreja brasileira surgiu em 1945 após cisão com a romana, devido a críticas ao apoio do Vaticano a regimes europeus totalitários e ao dogma da infabilidade papal, firmado no Concílio Vaticano I, que determina que o papa não comete erros quando trata da doutrina.

    As duas igrejas apresentam hoje também diferenças em seus costumes e regras. A brasileira, segundo o seu site oficial, não possui um pontífice já que "não crê em um bispo superior aos outros" e seus sacerdotes podem se casar e manter trabalhos seculares.

    Os templos da Igreja brasileira também não devem possuir "ostentação de riqueza" e os fiéis podem se casar mais de uma vez, além da eucaristia ser dada sempre em duas espécies (pão e vinho).

    Outra Igreja Católica, a Ortodoxa, separou-se da romana no século XI por não aceitar a supremacia de Roma na época em que a Igreja fundada pelos apóstolos possuía várias sedes. Os católicos ortodoxos não aceitam dogmas romanos promulgados após a separação, como a virgindade de Maria definida em 1854 pelo Papa Pio IX.

    O Papa Francisco se aproximou recentemente das igrejas ortodoxas ao encontrar novamente o patriarca Bartolomeu na Turquia, em novembro do ano passado. Os dois são como pontífice e patriarca ecumênico, respectivamente, sucessores dos apóstolos irmãos Pedro e André.

    Leia a íntegra do manifesto de 2011 sobre a confusão entre igrejas católicas:

    "ESCLARECIMENTO
    dos bispos da província eclesiástica de São Paulo
     aos fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana

    A Igreja Católica Apostólica Romana, fiel e perseverante na transmissão da fé recebida dos Apóstolos, está unida ao Papa, sucessor do Apóstolo Pedro, e aos bispos em comunhão com ele. Os fiéis católicos apostólicos romanos reúnem-se também em torno dos padres e diáconos, que estão em comunhão com os bispos e foram por eles legitimamente ordenados para os respectivos ministérios.

    Atualmente, várias Igrejas e Comunidades Cristãs, não unidas ao Papa e aos bispos em comunhão com ele, apresentam-se como “católicas”, “católicas apostólicas”, “católicas carismáticas”, “católicas renovadas”, “católicas apostólicas ortodoxas”, “católicas apostólicas brasileiras”. Diversas pessoas e iniciativas religiosas são apresentadas como “católicas”, utilizando os mesmos sinais já tradicionais da nossa identidade católica apostólica romana (nomes, títulos, vestes clericais e litúrgicas, símbolos, textos litúrgicos...).

    Esta falta de clareza no âmbito das organizações religiosas ditas “católicas” é motivo de perplexidade, confusão e desorientação para os fiéis a nós confiados, podendo causar dano à sua fé. Cumprindo nossa grave responsabilidade de, em nome de Jesus Cristo, Bom Pastor, cuidar das ovelhas do seu rebanho, conduzindo-as pelos caminhos do Evangelho e defendendo-as contra todos os perigos e enganos, vimos esclarecer e chamar a atenção para o que segue:

    1. Somente representam legitimamente a Igreja Católica Apostólica Romana os bispos que estão em comunhão com o Papa e os sacerdotes e diáconos em comunhão com esses bispos católicos apostólicos romanos. Dioceses, eparquias, exarcados, paróquias e santuários da Igreja Católica Apostólica Romana são somente aquelas e aqueles que estão sob a responsabilidade de tais bispos, sacerdotes e diáconos;

    2. É direito dos fiéis católicos apostólicos romanos e de qualquer outra pessoa, obter informações certas sobre a identidade religiosa das pessoas que representam qualquer religião, igreja ou grupo religioso; o exercício da liberdade religiosa só é possível mediante essa clara identificação; 

    3. Os fiéis católicos apostólicos romanos, que necessitarem de informações sobre a legitimidade dos seus representantes hierárquicos, podem obtê-las através dos padres e diáconos das paróquias católicas romanas conhecidas, ou através das cúrias das respectivas dioceses.

    4. Recomendamos aos nossos sacerdotes e diáconos que tenham sempre consigo o documento de identidade sacerdotal ou diaconal, assinado pelo bispo da própria diocese ou, no caso do clero religioso, pelo seu superior provincial; 

    5. Esclarecemos aos fiéis católicos apostólicos romanos e a quem interessar possa, que nossa Igreja não realiza, a não ser em casos especiais, batizados, casamentos e crismas fora das igrejas e espaços normalmente destinados ao culto e às celebrações sagradas, como, por exemplo, chácaras, buffets e outros locais;

    6. Desaprovamos toda forma de simulação dos Sacramentos da Igreja Católica Apostólica Romana, bem como a exploração comercial, como fonte de lucro, da religião e da boa fé do povo; afirmamos que, ao nosso entender, isso é um grave desvio da natureza e da finalidade da religião e desrespeita profundamente a Deus e ao próximo;

    7. Estimulamos a todos os nossos fiéis a se manterem firmes na fé da Igreja, recebida dos Apóstolos e testemunhada pelos santos e mártires ao longo da história; estejam unidos aos seus legítimos bispos e sacerdotes, colaborando com eles na vida e na missão da Igreja; freqüentem as comunidades de fé e caminhem com elas, nas paróquias e outras organizações da Igreja, e busquem todos conhecer mais profundamente o rico patrimônio da fé e da vida cristã, que a Igreja Católica Apostólica Romana preserva e transmite com fidelidade, de geração em geração.

    Assinam os bispos das dioceses católicas apostólicas romanas da província eclesiástica de
    São Paulo.

    Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo
    Dom Tomé Ferreira da Silva, bispo auxiliar de São Paulo
    Dom Tarcísio Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo
    Dom Edmar Peron, bispo auxiliar de São Paulo
    Dom Milton Kenan Júnior, bispo auxiliar de São Paulo
    Dom Júlio Endi Akamine, bispo auxiliar de São Paulo
    Dom Ercílio Turco, bispo de Osasco
    Dom Fernando Antônio Figueiredo, bispo de Santo Amaro
    Dom Nelson Westrupp, bispo de Santo André
    Dom Jacyr Francisco Braido, bispo de Santos
    Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, administrador apostólico de Guarulhos
    Dom Joaquim Justino Carreira, bispo nomeado de Guarulhos
    Dom Luiz Antônio Guedes, bispo de Campo Limpo
    Dom Airton José dos Santos, bispo de Mogi das Cruzes
    Dom Manuel Parrado Carral, bispo de São Miguel Paulista
    Dom Vartan Waldir Boghossian, bispo do exarcado armênio, para os católicos
    apostólicos romanos de rito armênio residentes no Brasil
    Dom Farès Maakaroun, bispo da eparquia Nossa Senhora do Paraíso, dos católicos
    apostólicos romanos de rito greco-melquita
    Dom Edgard Madi, bispo da eparquia Nossa Senhora do Líbano, dos católicos
    apostólicos romanos de rito maronita.

    São Paulo, na festa do Apóstolo Santo André, 30 de novembro de 2011"