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Francisco não é um papa ambíguo, diz professor da PUC-MG

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  • domingo, 22 de março de 2015
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  • Rodrigo Caldeira afirmou em entrevista que Papa se dá mais liberdade nas declarações

    Pontífice discutirá temas morais no Sínodo da Família. Foto: Reprodução/TV Horizonte

    Da Redação 

    O Papa Francisco tem sido criticado por jornalistas, como o blogueiro brasileiro Reinaldo Azevedo, por dar declarações que seriam ambíguas. 

    "Ele é o líder máximo da minha religião, mas suas ambiguidades me incomodam", afirmou o blogueiro em janeiro.  "Jesuítas sempre foram de uma inteligência política ímpar, mas, em matéria de teologia, não são aquilo tudo", disse o jornalista.

    Um caso, por exemplo, seria de quando o mesmo arcebispo de Buenos Aires que se colocou contra o casamento de pessoas do mesmo sexo na Argentina diz depois, como pontífice, aos gays: "se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?"

    O professor de ciências da religião da PUC-MG, Rodrigo Coppe Caldeira, entretanto, discorda da tese. Para ele, em entrevista publicada no blog Darwin & Deus na última sexta-feira (20), Francisco se dá apenas mais liberdade para falar o que pensa, ao contrário de outros papas.

    "E a liberdade sempre causa inquietações naqueles que desejam enquadrar e rotular superficialmente as posições. No entanto, houve alguns episódios em que o Serviço de Informação Vaticano teve que vir a público esclarecer as posições do papa", lembrou o professor. "Penso que seja uma questão do próprio fato comunicacional, que é sempre marcado pelo 'entre' quem fala e quem recepciona a mensagem. Mas, claro, ele é o papa e tudo o que fala tem um peso."

    Mudanças

    Caldeira, que também é especialista na história do Concílio Vaticano Ecumênico II, afirma que o pensamento de Francisco está próximo de outros papas como Bento XVI em questões morais como o casamento homoafetivo e o uso de anticoncepcionais.

    "Francisco, que ainda não tinha tocado de maneira mais clara e direta na doutrina moral da Igreja em seus pronunciamentos, retomou alguns pontos da moral católica e as reafirmou", afirma. "Isso pode ter ressoado positivamente entre bispos mais conservadores".

    O professor da PUC-MG ainda discutiu a chance do papa aprovar mudanças na pastoral da Igreja como a acolhida de gays e de casais divorciados na segunda parte do Sínodo da Família, que ocorrerá em outubro deste ano.

    A discussão seria se bispos de origem africana que tem participado mais das reuniões de cardeais no atual papado vão se posicionar junto com Francisco.

    "O que dá para vislumbrar é que o papa, mesmo deixando aberto o diálogo, sem querer controlá-los diretamente, numa situação de extrema polarização deverá se posicionar. Os bispos são cum Petro, sub Petro, ou seja, no final, a última palavra é dele", afirmou Caldeira.