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O celibato precisa ser discutido

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  • segunda-feira, 30 de março de 2015
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  • Redação
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  • Foto: EPA/Osservatore Romano

    A queda do número de irmãos e irmãs religiosas católicas no mundo em 2013 de 55.314 para 55.253, noticiada pelo Paulistana na semana passada, mostra que os números podem demonstrar mudanças e problemas em um universo composto por simples seres humanos que seguem sua vocação dando a vida ao serviço ao próximo.
    A mesma notícia, com informações do Anuário do Vaticano, apontou que no ano retrasado a quantidade de diáconos no mundo subiu cerca de 10 mil. O número de sacerdotes permaneceu estável e, o de bispos, cresceu.
    É fácil entender que o surgimento de novos bispos depende principalmente da vontade do Papa e dos acordos e relações internas do clero. Que padre não gostaria de ser promovido? Talvez alguns poucos que têm como projeto de vida apenas o serviço, sem o desejo de poder, este que, claro, também é um meio de servir os outros como pastor, quando não se encarna na figura de um simples "sucessor de apóstolo".
    Os números talvez apontem que a mesma vontade de ser bispo não acontece com o sacerdócio e a vida de ordem.
    Pouco se altera o número de padres, cai o de irmãos e irmãs e aumenta o de diáconos.
    A explicação por trás dos números talvez esteja aqui: os diáconos não fazem voto de celibato.
    Reportagem desse mês da Veja São Paulo também recupera números do último Censo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que mostra que o número dos "ajudantes" dos padres cresceu em 116% no país entre 2004 e 2014, frente a um aumento de apenas 36% com os sacerdotes.
    O celibato para os padres é discutido desde o século IV, mas foi instituído apenas em 1123 no Concílio de Latrão, sendo alvo de reflexão em documentos posteriores. Adquiriu um status de santidade, mas no começo da Igreja - pobre, antes de se fundir com o Poder Romano - era vantajoso os padres e bispos não precisarem dividir as poucas riquezas que tinham com uma família. Jesus, ao que se sabe, não possuiu um (a) companheiro (a) em sua passagem pelo Mundo e isso reforça a necessidade do celibato para os padres.
    Uma necessidade para a Igreja Católica Apostólica Romana, mas já abolida para os padres das igrejas irmãs católicas orientais, mantida apenas para os bispos. Os protestantes há muito tempo mudaram sua mentalidade e enxergam, sim, a não construção de família como algo ruim. Pastores e pastoras participam junto a companheiros (as) e filhos na vida comunitária cristã.
    O Papa Francisco lembrou no ano passado que o celibato não é um dogma e que pode ser debatido, embora o aprecie como uma "regra de vida." Em fevereiro, afirmou que a questão está em sua "agenda".
    A questão é que o movimento parece demonstrar que há mais interesse em servir a Igreja com o Sacramento do Matrimônio do que sem ele.
    Independente de questões teológicas e oficiais, também precisamos parar com a hipocrisia de fingir que não sabemos dos casos em que o celibato é desrespeitado pelo clero, inclusive, em situações sexuais condenadas pela Igreja Católica e, muitas vezes, pelos próprios sacerdotes que por elas passam.
    Uma instituição que zela pela continuidade da fé cristã só pode avançar - ou permanecer no caminho correto - quando colocar em xeque verdades que não são proibidas de serem discutidas; não contra, mas apesar dos que acham que a Igreja é uma instituição imutável.
    A manutenção do celibato é uma dessas "verdades".

    ***

    Com esse editorial, o portal A Igreja Paulistana é lançado oficialmente com o intuito não apenas de informar os católicos sobre o que acontece relacionado à Igreja em sua cidade, mas, também, de proporcionar reflexões para que eles possam exercer melhor a sua fé, viverem melhor com seus irmãos e poderem olhar sempre para o próximo.