Para teólogo, governos do PT fizeram opção errada no presidencialismo de coalização

Leonardo Boff (ao centro) participou de debate no Rio de Janeiro. Foto: Reinaldo de Miranda/IP

Da Redação*

O teólogo Leonardo Boff afirmou na noite da última sexta-feira (13) que carta escrita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de ser eleito pela primeira vez lhe causou causou "profunda tristeza".

Segundo Boff, o PT no poder transformou um estado "privatista" em um estado "social", com mais distribuição de renda, mas ainda foi mantida "agenda macroeconômica capitalista".

"Essa permaneceu, não conseguimos romper. A carta aos brasileiros de Lula, antes de tomar a posse, consagrou isso para a nossa profunda tristeza", disse o teólogo.

A declaração, dada em debate promovido pelo deputado pelo Alexandre Molon (PT-RJ) no Teatro João Theotônio, no Rio de Janeiro, fez referência à compromisso de Lula de respeitar política econômica voltado ao mercado financeiro antes de chegar ao poder.

Caminhos

O teólogo também fez críticas aos governos do partido do deputado promotor do debate. Para ele, o presidencialismo de coalização é um problema para o país.

"Havia uma opção que teria sido possível para o PT e para Lula. Ou firmar-se nas bases populares, como fez Evo Morales, e aí construir um novo consenso, ou o caminho curto, mais perigoso, que foi esse da coalização de partidos, sem ideologia e carregados de interesse", criticou o teólogo. "Esse caminho entrou em crise. Esse pacto social que se criou na Constituição de 88 está se esvaziando", afirmou, sob aplausos.

Leonardo Boff apoiou a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e tem defendido o governo de protestos pelo impeachment da presidente eleita, como em entrevista em janeiro a jornalistas no Uruguai.

Recentemente, entretanto, publicou texto em seu blog pessoal que chamava o PT de "nulidade política."

Para o teólogo, o PT sofre oposição devido à inclusão de renda proporcionada a camadas de baixa renda em seus governos.

"Não aceitam que uma potência como o Brasil emerja como poder fazendo o seu caminho próprio. Tenta-se desestabilizar o governo com o mercado e a mídia e alinhar o Brasil com essa lógica", disse.

Embora seja crítico à corrupção nos governos petistas, afirma que ela não deve ser generalizada à toda sigla. "Não são 50 pessoas (envolvidas em casos de desvios) que vão invalidar quase um milhão de filiados do PT", defendeu.

Para Boff, a distribuição das riquezas no país é necessária. "É uma espécie de libertação que resgata a dignidade da pessoa. Ela se sente participante e beneficiada daquilo que é construído por todos", afirmou.

Participarem também da mensa de conversa o escritor Robson Leite, o professor Cândido Mendes e o economista Carlos Minc.

*Com informações de Reinaldo de Miranda