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Ecumenismo, uma fé inclusiva?

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  • quinta-feira, 2 de abril de 2015
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  • Foto: MorgueFile
    Por Ezequiel Hanke*

    Caros leitores,
    Caras leitoras,

    É interessante percebermos que a partir do momento em que a fé no Cristo começou a se espalhar no mundo, ela mostrou a sua universalidade. Ou seja, a fé cristã não tem fronteiras e por essa razão ela é inclusiva – a culturas, a raças, gênero, poder econômico etc. Ela ultrapassa e rompe fronteiras; destarte, a fé chama todas as pessoas a se perceberem na “terra habitada”, convida para o diálogo, para a comunhão, para a amizade fraterna e respeitosa.

    Porém, não podemos esquecer que esse processo de universalização da fé cristã não foi tão romântico e que espadas ajudaram a romper barreiras causando mortes, e por consequência, muita dor. Fatos para os quais geralmente não se faz referência quando se fala da expansão da fé cristã. Não podemos ser ingênuos! É preciso atentar ao interesse político dominante que fez a fé cristã chegar aonde chegou... Nesse sentido, será a fé cristã realmente inclusiva?

    Na atualidade tem se revelado e fortalecido uma onda de conservadorismo religioso em diversos setores da sociedade. Destaco aqui, como exemplo, o ambiente político do Brasil – em que cada vez mais políticos vêm se notabilizando com argumentos e projetos baseados em preceitos religiosos. Esse conservadorismo e exclusivismo religioso tem se tornado uma real ameaça para a preservação de direitos, da liberdade e da democracia no nosso país. São ameaças que excluem e alienam pessoas, impedindo debates e leituras dialogais.

    Um segundo exemplo, com ampla repercussão nas mídias tem sido o “exército” da Igreja Universal (IURD). Considero os chamados “Gladiadores do Altar” um verdadeiro golpe de marketing com o qual a Igreja procura manter-se na mídia. Este e outros fatos vêm causando preocupações por conta do conservadorismo, especialmente nas religiões de matriz africana, um grande alvo da intolerância religiosa.

    Frente a essas posturas conservadoras, seja dos Bolsonaros, Felicianos, Heinzes, Macedos, Malafaias e de muitos outros, faço parte da parcela da população que faz o contraponto com uma postura ecumênica dialogal, a qual resulta num projeto político social que busca justamente o oposto a esse tipo de pensamento fechado e retrógrado. Também se busca nesse projeto a construção de uma casa comum justa e sustentável para toda a criação, pautada numa ética ecumênica do diálogo.

    Urge, então, intensificar ações concretas que promovam a paz no nosso país. E entendo que esta seja possível com a promoção dos direitos humanos, a busca da superação de intolerâncias e a justiça de gênero. Também a paz está relacionada a uma profunda reforma política, à incisiva defesa do Estado laico e a democratização dos meios de comunicação.

    Estas são, a meu ver, algumas frentes bem importantes para as quais quero convidar você ao engajamento. Somente assim poderemos ter paz e “vida em abundância” na ecumene. Venha também fazer parte dessa luta em defesa da vida e da liberdade. Ademais,

    “Axé pra quem é de axé,
    Saravá pra quem é de saravá,
    Aleluia pra quem é de aleluia,
    Amém pra quem é de amém,
    Shalom
    Namastê geral!”. (Os Orixás/anunciação – Monobloco)

    * É teólogo, membro da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e da Reju-RS (Rede Ecumênica da Juventude do Rio Grande do Sul). 
    Contato: ezehanke@yahoo.com.br