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Irmãos foram tratados com truculência, diz Julio Lancellotti

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  • quarta-feira, 29 de abril de 2015
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  • Vigário relatou repressão da PM e da GCM contra moradores de rua nesta quarta (29)

    Segundo Lancellotti, prefeitura chegou a 'confiscar' carroças dos catadores da região. Foto: Divulgação/PMSP

    Por Júnior Carvalho

    Atualizado em 30/4/15, 02h25

    O vigário episcopal da Pastoral do Povo da Rua, Julio Lancellotti, relatou ao Paulistana que moradores de rua que estavam na região da Cracolândia, na Luz, foram tratados com repressão e truculência pela Polícia Militar e pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) nesta quarta-feira (29), durante ação de retirada de barracos na região.

    A repressão, segundo Lancellotti, iniciou depois que o prefeito da capital, Fernando Haddad, os secretários municipal e estadual, Eduardo Suplicy (Direitos Humanos e Cidadania) e Alexandre de Moraes (Segurança Pública), respectivamente, deixaram o local. A ação, administrada pela Prefeitura de São Paulo em conjunto com o governo do Estado, tinha como objetivo a retirada de barracos na Praça Julio Prestes, local conhecido como "favelinha" da Cracolândia. A operação, no entanto, terminou em tiros e bombas de gás. Dois moradores de rua teriam sido baleados pela PM.

    "Teve tiroteio e intervenção da Tropa de Choque. Houve muita tensão e repressão", contou o vigário. Julio Lancellotti já havia alertado, através do Facebook, sobre o abuso de poder por parte das forças de segurança pública: "Atenção: Neste momento a tropa de choque ataca os que estão na cracolândia da Luz. O prefeito foi embora, ficou a repressão", publicou o vigário.

    No início da noite desta quarta, Julio Lancellotti voltou a relatar a violência contra o povo de rua e os usuários de drogas que permaneciam na região. "A prefeitura de São Paulo acaba de confiscar as carroças dos catadores que estão na região da cracolândia. Confiscaram todos os seus pertences, o pouco que tinham. Alguns choram indignados por terem perdido seu instrumento de trabalho. Incrível (é a) crueldade das autoridades municipais e estaduais", postou.

    Prefeitura e Estado

    A Prefeitura da Capital não respondeu aos questionamentos do Paulistana sobre a ação da GCM hoje à tarde. A administração, porém, informa em seu portal que "cerca de cem pessoas foram cadastradas e encaminhadas para vagas em hotéis na região, com inserção no programa Braços Abertos. Os demais foram informados que não poderiam voltar com barracos e carrinhos para a praça".

    A SSP (Secretaria Estadual de Segurança Pública) também não se manifestou sobre os relatos de repressão contra moradores de rua.

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