Curta o Paulistana no Facebook



Juventude católica e da quebrada discute exclusão do jovem e cultura

Posted on
  • domingo, 26 de abril de 2015
  • by
  • Redação
  • in
  • Marcadores: ,
  • Pastoral promoveu roda de conversa com rap em praça conhecida por chacinas

    Objetivo foi atingir maior número de jovens e debater os problemas. Foto: Arthur Gandini/IP

    Por Arthur Gandini

    Jovens da Pastoral da Juventude e da região da Brasilândia discutiram na tarde do último sábado (25) a exclusão dos jovens na sociedade e a importância da cultura para auxiliar na sua inclusão.

    O evento, nomeado "Roda da Quebrada", é o primeiro de mais dois que devem ocorrer este ano, um na Região Belém, em agosto, e outro na Região Sé, em outubro, promovidos pela PJ.

    O encontro aconteceu na "Praça dos Sete Jovens", conhecida pelas chacinas que já ocorreram na região, como a das sete vítimas que em maio de 2007 foram mortas à queima roupa por motociclistas encapuzados.

    "Sair do campo da Pastoral da Juventude, que é mais centralizado. É dessa maneira que a gente atinge mais o jovem, que é o ideal da pastoral", colocou como objetivo da ideia a coordenadora da PJ na Região Ipiranga, Thais Braga.

    Os três projetos foram idealizados na assembleia arquidiocesana da pastoral em dezembro do ano passado e contam também com o apoio do Observatório da Juventude, do Centro Cultural da Juventude, do Centro de Capacitação da Juventude e do Samba do Bowl, que ocupa a praça com atividades culturais todo o primeiro domingo do mês.

    O evento contou com diversas apresentações de rap com reflexões sociais.

    Confira nos vídeos abaixo.









    Debates

    "O rap, não só para a Brasilândia, quanto para outras quebradas, é o meio de formação que a gente tem", afirmou o estudante de serviço social, Renato Souza, em uma das conversas da roda.

    "Desde que eu o conheci, era um movimento que abria a sua mente, as maldades que tem e que fazem com a gente", disse o jovem que também é conhecido como Maktube.

    Outros assuntos foram discutidos como a violência e a opressão contra as mulheres na sociedade. "Nós mulheres não podemos sair na rua com a roupa que queremos", criticou Gabriela Stephani, participante da PJ na região.

    Para a jovem, as minorias da sociedade também precisam ser mais ouvidas. "A gente quer trazer voz junto com vocês. Vocês serem voz junto com a gente, a voz da juventude", afirmou.

    Fábio Alves, mais conhecido como "Law", é educador social e foi um dos músicos que se apresentaram na roda. Para ele, a periferia é muitas vezes esquecida pelo Estado nas demandas sociais, de ajuda às pessoas carentes.

    "O trabalho social é feito (nas comunidades) por igrejas ou por instituições não governamentais, que não recebem lucro. Esse movimento que a gente faz aqui é de resistência, em prol de poder resgatar o nosso jovem", disse.

    Para Law, ocupar a praça com cultura e lazer é uma forma de afastar os jovens da criminalidade, em meio às más condições de vida. "Para ele ver que não tem só biqueira na comunidade. Ver que tem outras oportunidades. Pode ser um poeta, não um traficante. Um dançarino, não um matador."

    O músico, que é cristão e conta que a fé o fez largar passado que não se orgulha de drogas e de crime, ainda afirma que a espiritualidade é um meio de colocar os jovens em um bom caminho.

    Entretanto, ela deve ser utilizada com respeito às diferenças. "Sem aquela ideia de que o meu (credo) é melhor que o seu, naquela ideia de respeito. Assim o jovem se sente mais compreendido. Independente de religião, gosto musical, gosto esportivo ou de gosto (orientação) sexual", afirmou.

    Ouça abaixo uma das músicas cantadas por Law.



    A roda foi encerrada com mística da Pastoral da Juventude na qual jovens foram carregados simbolizando cruzes, em memória à morte de jovens como os que deram nome à praça.

    Confira mais fotos do encontro:

    Foto: Arthur Gandini/IP
    Foto: Arthur Gandini/IP
    Foto: Arthur Gandini/IP
    Foto: Arthur Gandini/IP
    Foto: Dyego Servolo
    Foto: Dyego Servolo
    Foto: Dyego Servolo
    Foto: Dyego Servolo