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Povo da Rua e prefeitura discutem repressão da GCM aos sem-teto

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  • quinta-feira, 9 de abril de 2015
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  • Redação
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  • Vigário se encontrou na última quarta (8) com secretário de Direitos Humanos

    Sem-teto têm afirmado ser reprimidos pela guarda civil e por policiais. Foto: Martha Lu Slivak

    Por Thiago Fuschini*

    O vigário episcopal da Pastoral Povo da Rua, Julio Lancellotti, se reuniu na última quarta-feira (8) com o secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, para discutir os problemas pelos quais os sem-teto tem passado.

    O encontro ocorreu no Centro Comunitário São Martinho de Lima, no Belenzinho, em assembleia do Povo da Rua atendido pelo local. Foi marcada uma reunião em maio para discutir os problemas com as secretarias municipais de Direitos Humanos, Saúde e Assistência Social e com a GCM (Guarda Civil Metropolitana). Também participaram trabalhadores que ajudam no atendimento aos sem-teto.

    O também pároco da igreja São Miguel, na Região Belém, criticou a distância de tempo para a reunião. "A impressão que fica é que está tudo muito vago, de que a prefeitura, e o governo do Estado, não possuem uma política integrada que possibilite um atendimento digno às pessoas que vivem nas ruas”, disse Lancellotti.

    Para o sacerdote, também já é necessário pensar na sobrevivência do Povo da Rua durante o inverno, que começa no dia 21 de junho.

    “A cidade precisa se preparar, e as propostas comuns, dadas todos os anos, de distribuir alguns cobertores e criar algumas poucas vagas nos albergues são claramente insuficientes, não adiantam nada”, afirmou Lancellotti.

    Repressão

    O padre havia pedido na terça-feira (7) a doação "urgente" de cobertores para sem-teto, por meio de sua página no Facebook, após ação da guarda civil no centro da cidade.

    O tema foi tratado pelo secretário de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy. "As forças de segurança não devem atuar por meio do desrespeito às pessoas”, disse sobre as reclamações do Povo da Rua de serem reprimidos e terem seus pertences levados pela GCM.

    A moradora de rua Rosângela da Silva reclamou na assembleia ter sofrido ataque na região do Viaduto do Bresser. “Fui enquadrada pela GCM e por soldados da Força Tática (da Polícia Militar) e eles me disseram que iam tacar fogo em mim se eu não entregasse as pessoas que trabalhavam na ‘biqueira'", afirmou.

    “Estão invadindo os nossos barracos sem nenhuma autorização, pegando as nossas coisas e nos atacando. Querem exterminar a gente”, disse João Santos de Oliveira, que havia sido abordado por policiais militares da Rocam (Ronda Ostensiva com o Apoio de Motocicleta) pouco antes do início da reunião.

    Os militares pediram os seus documentos, mas se afastaram após serem vaiados por outros moradores de rua do Centro Comunitário. Um policial teria sacado a sua arma e ameaçado abrir fogo contra todos.

    O educador social Necir da Costa, ex-morador de rua, afirma que todos estão cansados de serem "brutalizados" pelos policiais. "No sábado passado (4), um morador de rua foi agredido por policiais quando tentou utilizar o banheiro na Estação de Metrô Bresser”, denunciou.

    Segundo o Povo da Rua, a campanha de "higienização" dos sem-teto tem ocorrido em várias regiões da cidade, como em Santa Cecília e Vila Leopoldina.

    Há reclamações contra a contratação de seguranças privados no último bairro para expulsar sem-teto das ruas. Em reportagem do jornal Folha de S.Paulo da última terça-feira (7), moradores do bairro afirmaram que são expulsos apenas consumidores de crack que tomaram o lugar dos moradores de rua.

    O bispo auxiliar da Região Lapa, Dom Julio Endi Akamine, disse ao jornal acompanhar a situação de perto.

    Crise Hídrica

    A falta de água na cidade também tem sido outra reclamação dos sem-teto, o que também já motivou conversa do Vicariato do Povo da Rua com a prefeitura.

    Tem sido feita aos domingos a campanha “Água para um irmão de rua”, que distribui garrafas de água mineral aos irmãos da Cracolândia, na região da Luz.

    Segundo o Vicariato do Povo da Rua, a Sabesp ainda não se posicionou como sobre irá responder à falta de água em abrigos para os sem-teto.

    Confira outras fotos da assembleia:

    Foto: Martha Lu Slivak
    Foto: Martha Lu Slivak
    Foto: Martha Lu Slivak
    *Colaboração para o portal A Igreja Paulistana