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Presidente da Turquia faz advertência e condenação ao Papa

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  • quarta-feira, 15 de abril de 2015
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  • Declaração foi dada após Francisco chamar massacre de armênios de "genocídio"

    Da Redação

    Atualizado às 13:21

    O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta quarta-feira (15) que faz condenação e advertência ao Papa após declaração. As informações são da agência Ansa.

    "Advirto o Papa para não repetir esse erro e o condeno. Quando dirigentes políticos e religiosos assumem o papel dos historiadores, isso gera delírio, não fatos", disse o chefe de Estado ao jornal Hurriyet.

    Francisco afirmou em missa no último domingo (12) que o massacre de mais de um milhão de armênios entre 1915 e 1916 havia sido um genocídio, o que a Turquia nega.

    "O genocídio é um conceito jurídico e as reivindicações atuais não satisfazem os pré-requisitos da lei, mesmo que sejam baseadas em uma convicção amplamente difusa, isso é uma calúnia", já havia sido dito pelo governo turno em nota no dia seguinte.

    No mesmo dia, em homilia, o Papa disse que a Igreja deve ter "franqueza" e a "coragem cristã" de "dizer as coisas com liberdade".

    Também sem citar a nota do governo turco, utilizou os atos dos apóstolos Pedro e João para dizer que um cristão "não pode ficar quieto sobre as coisas que vê e escuta".

    Segundo a agência Ecclesia, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, não quis responder às críticas do governo da Turquia.

    “Registamos as reações turcas, mas não julgamos necessário fazer disso uma polemica”, disse ele em coletiva de imprensa.

    Segundo Lombardi, a intenção do papa foi promover o “diálogo” e a “reflexão” na missa de domingo.

    Entenda o caso

    O povo armênio foi martirizado ou exilado pelo Império Turco Otomano como uma forma de reprimir a sua cultura. Mais de um milhão e meio de pessoas foram perseguidas pelo partido "Jovens Turcos".

    A celebração de ontem relembrou o acontecimento histórico e concedeu o título de Doutor da Igreja a São Gregório de Narek (950-1005), considerado o primeiro grande poeta da Armênia, além de um importante escritor da literatura cristã.

    Foi realizada junto com o patriarca da Igreja da Armênia, Nerses Bedros XIX Tarmouni, com o Supremo Patriarca Católico de Todos os Armênios, Karekin II, e com Aram I, da Grande Casa Cilicia. O presidente da Armênia, Serj Sargsyan, também esteve presente.

    "A nossa humanidade viu no século passado três grandes tragédias: a primeira, aquela que vem comumente lembrada como o primeiro genocídio do século XX, essa atingiu o vosso povo armênio, primeira nação cristã", disse Francisco.

    "As outras duas foram perpetradas pelo nazismo e pelo stalinismo e, mais recentemente, os extermínios em massa que ocorreram no Camboja, Ruanda, Burundi e Bósnia. Parece que a humanidade não para de derramar sangue inocente", lamentou. A convocação do embaixador foi contada pelo próprio Lucibello à agência Ansa.

    O papa já havia declarado recentemente que a Igreja Católica Romana e a da Armênia são unidas por um "ecumenismo de sangue".

    A Catedral da Sé irá celebrar missa em maio em memória do que também chama de "genocídio armênio", mas não é reconhecido pelo governo tuco.

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