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Uma Igreja em que possamos amar as sacerdotisas

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  • segunda-feira, 6 de abril de 2015
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  • Foto: MorgueFile

    Nesta semana, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, reafirmou a posição mais recente do Papa Francisco sobre a ordenação sacerdotal de mulheres.
    Isto ocorreu após a agência de noticias AFP divulgar uma matéria intitulada ”Na Colômbia, as mulheres se integram ao clero”. Em um texto em sua página no Facebook, o cardeal afirmou: “Se houve supostas ordenações sacerdotais de mulheres católicas em qualquer parte do mundo, essas ordenações são consideradas inválidas e contrárias ao ensinamento da fé católica. E quem conferiu tais ordenações, assim como quem as recebeu, está fora da comunhão da Igreja Católica.”
    Esta posição oficial da igreja pode ser baseada na passagem bíblica (1ª Cor 14, 34) que diz: “como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas assembleias: não lhes é permitido falar, mas devem estar submissas, como também ordena a lei”. Sustenta-se também pelo fato de Jesus ter formado um grupo de discípulos com 12 membros, ou seja, com nenhuma mulher. A consagração da Eucaristia pelos sacerdotes é uma repetição do ato de Cristo, que era homem, ainda se argumenta. O assunto é tratado de forma conclusiva pela Igreja, como demonstrado na notícia dada pelo Paulistana.
    A Congregação para a Doutrina da Fé (antiga Inquisição) excomunga as sacerdotisas e quem lhes dá o Sacramento da Ordem. João Paulo II afirmou em 1994 que não existe discussão para o tema.
    No entanto, a sacerdotisa colombiana Olga Lucia Álvarez Diz pergunta à AFP: "apenas os homens são os representantes de Cristo? Não tem pretexto”. Ela pertence à ARCWP (Associação de Mulheres Presbiterianas Católicas Romanas, na sigla em inglês), que conta com 210 sacerdotisas ao todo em dez países europeus e nos EUA. A associação foi fundada em 2002 com a ordenação no rio Danúbio das sete primeiras bispas, que receberam a sucessão apostólica de um bispo.
    Nesta mesma linha, teólogos da Igreja Católica pelo mundo – como os mais de 140 que escreveram em 2011 a petição “Igreja 2011: uma renovação indispensável - defendem que todos os discípulos de Jesus eram homens por conta da cultura em sua época, mesma explicação dada às palavras escritas na carta de São Paulo aos Coríntios. A ordenação de mulheres poderia ser também uma solução para uma possível futura escassez de vocações masculinas alertada pelo último Anuário Estatístico do Vaticano, que mostra estabilidade no número de sacerdotes, quando o de irmãos já está em queda.
    O assunto surge em tempos de forte e crescente presença feminina em todos os setores da sociedade e ainda deverá gerar discussão. Uma enquete na página principal do portal pergunta ao internauta: você é a favor da ordenação de mulheres na Igreja?
    O Paulistana considera importante a participação feminina na vida eclesial em todos os seus níveis e, portanto, coloca-se a favor da ordenação feminina neste momento de debate de várias temas com o papado de Francisco. Que possamos um dia olhar para o altar e sentir nosso amor também pelas sacerdotisas.