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União civil homoafetiva não é questão religiosa, diz Fábio de Melo

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  • domingo, 12 de abril de 2015
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  • Sacerdote e cantor defende que católicos não podem impor opinião aos demais

    Padre, em mensagens no Twitter, defendeu soberania do Estado. Foto: Reprodução/Facebook

    Da Redação

    O padre e cantor da Diocese de Taubaté (SP), Fábio de Melo, declarou na manhã deste domingo (12), em sua conta no Twitter, que não compete à Igreja decidir sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, do ponto de vista da lei.

    "A união civil entre pessoas do mesmo sexo não é uma questão religiosa. Portanto, cabe ao Estado decidir", disse o sacerdote.

    Fábio afirmou ter de voltar ao assunto novamente, devido a sempre ter a sua opinião contestada.

    "O Estado decide através dos que são democraticamente eleitos por nós. São eles que propõem, votam e aprovam as leis. As igrejas não podem, por respeito ao direito de cidadania, privar as pessoas, que não optaram por uma pertença religiosa, de regularizarem suas necessidades civis", defendeu o padre.

    Em entrevista publicada no jornal O Globo no última sábado (12), Fábio de Melo também defendeu a separação entre a religião e a espiritualidade.

    "Nem tudo o que é religioso pode me espiritualizar, porque a religião é externa, nela cabem coisas como a hipocrisia. Na espiritualidade, não. Isso pode soar um tanto herético num primeiro momento, mas decidi que as pessoas precisam ouvir isso, sobretudo num momento em que o discurso religioso passa por tanto descrédito", afirmou o sacerdote.

    O deputado federal Jean Wyllys (PSOL), que defende a causa LGBT em seu mandato, apoiou em sua página no Facebook os comentários sobre a união homoafetiva de Fábio de Melo.

    "Obrigado, Padre Fábio de Melo, por vir a público em defesa do Estado laico, dos direitos civis de LGBTs e da diversidade", disse o parlamentar.

    A Igreja Católica e igrejas cristãs protestantes são atualmente contra a aprovação em lei do casamento homoafetivo e compõem bancada parlamentar em conjunto no Congresso contrária a mudança.

    A união civil entre gays já é reconhecida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) desde 2011.

    Confira as declarações dadas pelo padre hoje no Twitter:

    "O Estado decide através dos que são democraticamente eleitos por nós. São eles que propõem, votam e aprovam as leis.

    Aos líderes religiosos reserva-se o direito de estabelecerem suas regras e ensiná-las aos seus fiéis. E isto o Estado também garante.

    Se sou cristão católico, devo observar o que prescreve a minha Igreja. Lembrando que o cristianismo é uma Lei inscrita na consciência.

    As igrejas não podem, por respeito ao direito de cidadania, privar as pessoas, que não optaram por uma pertença religiosa, de regularizarem suas necessidades civis. Se duas pessoas estabeleceram uma parceria, e querem proteger seus direitos, o Estado precisa dar o suporte legal.

    São situações que não nos competem. A questão só nos tocaria se viessem nos pedir o reconhecimento religioso e sacramental da união.

    Portanto, vale a regra de Jesus: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus!" Mc 12, 17.


    Para encerrar. O cristianismo nunca foi vivo e convincente como nos primeiros séculos, período em que vivia apartado do Estado."