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Arquidiocese de SP publica artigo sobre “a excomunhão dos comunistas”

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  • sexta-feira, 1 de maio de 2015
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  • Após critica de Olavo de Carvalho, texto analisa a "prática da astrologia"

    Dom Odilo tem sido acusado de apoiar reforma "comunista". Foto: Maurício Sant'Ana/CNBB

    Da Redação

    O site da Arquidiocese de São Paulo publicou na última quinta-feira (30) texto sobre "a excomunhão dos comunistas", escrito pelo advogado Rodrigo Pedroso.

    O artigo foi divulgado após as críticas que o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, tem recebido nas redes sociais por apoiar, junto com a CNBB, uma reforma política "comunista" no país.

    "Odilo Scherer é um mentiroso e um excomungado. "Dom" O CARALHO [sic]. Contra a esculhambação, só uma esculhambação maior ainda. Solução para a CNBB: panelaço nela", afirmou o filósofo Olavo de Carvalho no dia 22 em sua página no Facebook, fazendo com que internautas se mobilizassem na página do cardeal.

    O jurista Rodrigo Pedroso integra a Ujucasp (União dos Juristas Católicos de São Paulo), que foi criada em 2012 com a ajuda de Dom Odilo e que já havia divulgado nota em apoio ao arcebispo após a polêmica.

    "A celeuma é provocada particularmente por certos militantes das redes sociais que usam o mencionado Decreto para dizer, com evidente exagero, que todos aqueles que votam em partidos considerados de esquerda, ou apoiam propostas de seus programas, estão 'automaticamente excomungados'", afirmou o texto do advogado.

    Pedroso interpretou o Decreto contra o Comunismo de 1949 da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santa Inquisição), mencionado por internautas nas redes sociais e por Carvalho.

    "Tal excomunhão não atinge indiscriminadamente os que estejam inscritos em partidos comunistas ou que sejam seus eleitores, mas apenas aqueles que professarem, defenderem ou propagarem o materialismo dialético, negando a existência de Deus e a imortalidade da alma", afirmou no texto.

    O texto também fez referência à antiga ocupação de Olavo de Carvalho. "Não se pode esquecer que a filiação a um partido declaradamente comunista não é o único pecado grave que se precisa abandonar para alguém ser admitido aos sacramentos", disse o jurista. "Só para ficar num único exemplo, também exclui da recepção dos sacramentos a prática da astrologia".

    Internautas contrários a Olavo de Carvalho costumam questionar seu título de filósofo, devido a ele não ser graduado em filosofia, e o chamam de astrólogo.

    Procurados pelo Paulistana, Rodrigo Pedroso e Olavo de Carvalho não haviam comentado o texto até a publicação desta reportagem.

    Entenda a polêmica

    A CNBB apoia uma reforma política alinhada com a do governo, que proíba o financiamento à campanhas eleitorais por parte de empresas como as envolvidas na Operação Lava Jato.

    O bispo auxiliar da Região Lapa, Dom Julio Akamine, já havia recebido mensagem de internauta sobre o assunto e entrado em discussão no último dia 18.

    "Ferradura. .......cnbb......ong a serviço dp [sic] PT", afirmou o fiel Fernando Henrique, que não comentou o caso depois ao Paulistana, assim como o bispo.

    Para Dom Odilo, em entrevista dada ao jornal O São Paulo, a proposta de reforma política é suprapartidária. "O Brasil precisa de uma urgente reforma política. Deve-se desfazer a suspeita de que é um projeto do PT", disse.

    A CNBB afirmou em nota no dia 24, sem citar a polêmica, que não é o momento de "acirrar ânimos, nem de assumir posições revanchistas ou de ódio que desconsiderem a política como defesa e promoção do bem comum."