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“Misericórdia é a palavra-chave para entender Bergoglio”, diz teólogo

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  • sábado, 16 de maio de 2015
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  • Portal esteve neste sábado (16) no lançamento do"Dicionário da Evangelii gaudium"

    Para Suess, saímos de uma fase de depressão para uma de otimismo. Foto: Thiago Fuschini/IP

    Por Thiago Fuschini

    A ação pastoral do Papa Francisco – seja por meio de seus textos, discursos e entrevistas ou, ainda pelo seu exemplo pessoal sobre o que significa ser cristão nos dias de hoje – pode ser entendida a partir de uma metáfora simples: Francisco seria como um jardineiro, aquele que age no que pode ser compreendido como uma nova “primavera” do Catolicismo.

    Todas estas mudanças e inovações, que marcaram e, em parte, transformaram o rosto da Igreja Católica, entretanto, só renderão frutos – o “outono”, a época da colheita – nos anos por vir.

    Esta é a análise do padre Paulo Suess, consultor do Cimi (Conselho Indigenista Missionário ) e autor do recentemente publicado “Dicionário da Evangelii Gaudium: 50 palavras-chave para uma leitura pastoral” (Editora Paulus, 2015).

    O Paulistana esteve no lançamento da obra ocorrido na manhã deste sábado (16), na Livraria Paulus da Vila Mariana, e aproveitou para conversar um pouco com o autor sobre o livro e o pontificado de Francisco.

    Para Suess, "a misericórdia é uma palavra-chave para se entender a vida de Bergoglio". Confira a entrevista abaixo.

    ***

    O que o motivou a escrever um dicionário sobre a exortação apostólica Evangelii gaudium?

    Foi uma preocupação eminentemente pastoral. O livro tem a função de ser uma ferramenta para as pessoas que queiram estudar, discutir ou organizar discussões sobre a exortação. A proposta é a de ajudar as pessoas que estejam envolvidas no trabalho de uma igreja em saída a estudar e refletir melhor sobre a riqueza da Evangelii gaudium.

    Como o senhor entende a relação entre o pontificado de Francisco e o documento?

    Nós saímos de uma fase de depressão para uma fase de otimismo. As ações de Francisco impressionam pela força de seus gestos. Ele tem a necessidade de ir ao encontro das pessoas, ao mundo real. Com o seu exemplo, ele levanta perguntas sobre questões que, para os cristãos, estão cristalizadas e são quase impossíveis de serem mudadas. Segundo o papa, a Igreja deve ir ao mundo e estar prepara para ser um hospital de campanha, que está sempre pronto para receber e atender os feridos e os mutilados por este mundo. Nossa religião é uma religião de caridade, como afirmou o Papa Paulo VI ao final do Concílio Vaticano II. E, agora, por meio do Papa Francisco, este latino-americano que chegou em Roma e que assusta muito gente acostumada à tradição, nós estamos retomando e dando um novo significado à esta inspiração de Paulo VI.

    Recentemente, o papa publicou a bula Misericordium Vultus (O Rosto da Misericórdia). Como ela se enquadra neste contexto de renovação na igreja?

    A misericórdia é uma palavra-chave para se entender a vida de Bergoglio. Quando de sua eleição à Papa, ele afirmou que Deus o havia escolhido em Sua misericórdia, ele, que se definiu como um “pecador”. Esta foi a primeira vez que um papa se referiu a si mesmo desta forma.  A misericórdia é mais importante do que a justiça, uma vez que, na misericórdia, existe uma relação de gratuidade, de doação, enquanto que, na justiça, temos a reciprocidade.  E foi exatamente que Deus fez ao ressuscitar o Cristo: anulou a sentença contra o homem pecador. Este é um momento em que devemos ter a coragem de repensar nossas verdade e termos a humildade de entender que ninguém “possui” a verdade. A verdade é algo que se constrói no dia a dia.

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