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Vigário faz críticas à Gestão Haddad em relação à moradia de rua

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  • sexta-feira, 11 de setembro de 2015
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  • Em entrevista a site, Lancellotti afirmou que secretaria não oferece direitos humanos

    Para o padre, prefeito possui "obsessão" em acabar com abrigos. Foto: Reprodução/Democratize

    Da Redação

    O vigário episcopal da Pastoral do Povo da Rua Julio Lancellotti fez críticas à prefeitura de São Paulo, em relação a como ela tem lidado com problema da moradia de rua na cidade. As declarações foram dadas em entrevista divulgada pelo site Democratize na última quinta-feira (10).

    "A Secretaria Municipal de Direitos Humanos é um belo enfeite de uma realidade que não existe. É aquilo que o povo embaixo do viaduto diz: 'onde estão os direitos humanos?' Na secretaria, com certeza não estão", declarou o também pároco da igreja São Miguel Arcanjo, da Região Belém.

    Lancelotti falou em uma "obsessão que o prefeito tem que ninguém pode fazer barraca, ninguém pode ter proteção", em referência às tentativas de acabar com as "malocas" do Cimento e Alcântara, na região.

    "O povo pede moradia - na palavra e no gesto, no ato de construir barracos e construir o seu espaço de vida - e a prefeitura oferece albergue, os programas como o aluguel social. As pessoas querem ter autonomia, a prefeitura oferece programas institucionais. As pessoas querem ter a liberdade de escolher onde morar e como viver. A prefeitura oferece um modelo pré-estabelecido dentro de uma forma de viver. Nisso, a administração já ficou duas vezes de fechar as duas tendas", declarou.

    O vigário também criticou o centro social que a prefeitura promete abrir na região, na rua Cajuru. "O Centro Pop é de convivência. As pessoas não querem conviver institucionalmente, elas querem conviver em um grupo familiar, no que eles formam."

    Política

    Para o religioso, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) possui pouca diferença em relação às últimas gestões Marta Suplicy (PMDB, filiada ao PT na época) e Gilberto Kassab (PSD, filiado ao DEM na época). "A administração atual repete os mesmos paradigmas das outras: respostas institucionais, higienização, limpeza do espaço público, essa palavra que a gente coloca entre aspas, "políticas públicas", que são, na verdades, formas de controle da população."

    Para Lancellotti, os prefeitos tentam deixar marcas em seus governos. "Quem assume o poder fica muito parecido com o outro, não tem muita diferença, cada um procura deixar a sua marca. Só que a cidade não é só os CEUs (Marta), a regulamentação da publicidade (Kassab), como não são só as ciclovias (Haddad)", criticou.

    O Paulistana entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura de São Paulo, que não havia se posicionado sobre as declarações até a publicação desta reportagem.

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