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Alckmin cita Papa Francisco ao adiar reorganização de escolas

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  • sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
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  • Arcebispo de São Paulo havia sido mencionado em áudio como defensor da mudança

    Para o pontífice, diálogo é "solução possível". Foto: Montagem/Divulgação/Governo do Sri Lanka

    Da Redação

    O governador de São Paulo Geraldo Alckmin citou frase do Papa Francisco na coletiva desta sexta-feira (4) na qual anunciou o adiamento da reorganização das escolas estaduais até pelo menos 2017. "Sempre que perguntado entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma solução sempre possível, o diálogo", citou o governador ao concluir o pronunciamento.

    A citação foi feita após o arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer ter sido mencionado em áudio do chefe de gabinete da Secretaria da Educação, divulgado no último domingo (29), como alguém que teria aconselhado tática de "guerra" para conter as ocupações de escolas. "Falou para a gente: 'O que vocês tem de fazer é informar, informar, informar, conversar, fazer a guerra da informação ao máximo possível', porque é (com) isso que você vai desmobilizando e criando as agendas positivas", afirmou Fernando Padula. "Lógico que a gente não pode sair por aí falando que o cardeal falou isso", disse ainda no aúdio obtido pelo coletivo Jornalistas Livres.

    Mulher não identificada também disse na gravação que o arcebispo criticou a falta de respostas aos protestos por parte da secretaria. Em nota, o arcebispo disse que "lamenta que seu nome esteja sendo usado indevidamente para justificar possível emprego de violência contra movimentos estudantis que ocupam escolas estaduais em São Paulo", mas que confirma que "sugeriu que o governo explique a proposta de readequação do ensino no Estado e esclareça a opinião pública".

    Entenda

    Mais de 150 escolas no Estado de São Paulo estão ocupadas em protesto contra a reorganização das escolas prevista pelo governo. A mudança visa fazer com que todas as escolas ofereçam apenas um tipo de ciclo escolar e deve afetar a vida de cerca de um milhão de jovens. O governo defende que a reorganização seria melhor para o ensino. "Nós já temos no Estado de São Paulo 1.500 escolas de ciclo único. Essas escolas possuem o melhor resultado no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), geralmente quase 15% acima da média, são mais focadas e não misturam crianças de seis anos com alunos de 17 anos de idade", afirmou o governador na coletiva.

    A Usp (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade de Campinas) e UFABC (Universidade Federal ABC), entretanto, criticaram a possível eficácia da mudança. A última instituição ainda realizou estudo que concluiu que a proposta de melhoria do ensino não possui embasamento técnico e científico. Já alunos e professores alegam que ela pode resultar na demissão de docentes e fazer com que estudantes carentes tenham de estudar longe de suas casas, o que aumenta o custo com o transporte público. Parte das escolas fechadas não dará lugar a novos colégios.

    Os protestos se intensificaram nos últimos dias também por ruas da cidade e imagens e vídeos da policiais militares agredindo adolescentes se espalharam pelas redes sociais.

    Pesquisa ainda divulgada hoje pelo Datafolha apontou que a popularidade do governador atingir a pior marca histórica, com 28% do eleitorado paulista classificando a gestão Alckmin como boa e ruim, contra 48% na véspera de sua reeleição no ano passado. Já em relação à ocupação das escolas, 55% da população do estado apoia os protestos.