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Após encontro com Francisco, Cirilo I reza pelo fim da pobreza no Brasil

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  • segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
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  • Patriarca da Igreja Russa celebrou missa na Catedral de Antioquia, em São Paulo

    Esteve presente na celebração o arcebispo romano Dom Odilo Scherer. Foto: Arthur Gandini/IP

    Por Arthur Gandini

    O patriarca da Igreja Católica Ortodoxa da Rússia Cirilo I celebrou missa no último domingo (21) na Catedral Ortodoxa de Antioquia do bairro do Paraíso, em São Paulo. A celebração é um dos últimos eventos da viagem do religioso pela América Latina, na qual se encontrou com o Papa Francisco, em Cuba.

    "Nós consumimos menos nesta época e é mais fácil entender o estado dos que consomem menos", disse o patriarca em sua homilia sobre estarmos no segundo domingo da Quaresma. "Este país gostaria de viver melhor. É possível construir uma sociedade justa e próspera com uma condição, se vocês não esquecerem Deus e o guardarem no coração", afirmou. "Se justaram isso com a educação e a ciência, vão resolver a pobreza. Tenho o direito de falar isso em outro país, pois já passei isso com o meu povo."

    O patriarca, ao final da missa, também relembrou o encontro que teve com o papa. "Não se alcança a paz duradoura à força. A paz duradoura sempre está ligada a Justiça", afirmou. Na ocasião, os dois divulgaram declaração conjunta em que pediam paz no Oriente Médio, especialmente pela região da Síria, que está em guerra civil desde 2011.

    Os dois líderes também falaram sobre estar se encontrando em Cuba, "longe das antigas disputas do “Velho Mundo”, sobre a importância do diálogo entre todas as religiões, estimularam a juventude cristã a "não terem medo de ir contra a corrente" e lembraram o papel das igrejas no combate à pobreza.

    O arcebispo metropolitano de São Paulo da Igreja Católica Ortodoxa de Antioquia, Dom Damaskinos Mansour, elogiou o encontro entre o patriarca e o Papa Francisco. “Foi uma iniciativa que enche os corações dos cristãos deste continente de alegria e esperança pela unidade do amor, que foi coroada pela declaração contínua-conjunta."

    Ele também pediu que se rezasse pela paz no Oriente Médio. "Pedimos pelo berço do cristianismo, o Oriente Médio, do qual, em parte, a Síria. Rezamos pela sua unidade e paz, pelo fim dos conflitos, em toda a região, especialmente a Síria, a qual mais sofre agora.”

    Igrejas irmãs

    As hoje chamadas Igrejas Católicas Ortodoxas são separadas da Igreja Católica Apostólica Romana desde 1054 por não terem aceitado a supremacia de Roma na época em que a Igreja fundada pelos apóstolos possuía cinco sedes (Roma, Constantinopla, Alexandria, Jerusalém e Antioquia). Roma era a única sede situada no ocidente.

    Os católicos ortodoxos não aceitam dogmas romanos promulgados após a separação, como a virgindade de Maria definida em 1854 pelo Papa Pio IX. Também há diferenças em regras do clero (o celibato é obrigatório apenas para bispos) e na liturgia. A missa na catedral foi celebrada com os religiosos de costas para a assembleia, voltados para o altar, que é fechado ao público no momento da transubstanciação. Este tipo de rito deixou de ser comum na Igreja Romana após o Concílio Vaticano II (1962-1965).

    A Igreja Ortodoxa de Antioquia foi fundada na atual Antáquia, que fica no sul da Turquia e na fronteira com a Síria. Antioquia foi onde, segundo o livro de Atos, os seguidores de Cristo foram chamados de cristãos pela primeira vez.

    Também foi onde São Paulo deu o seu primeiro sermão após sua conversão depois da aparição de Jesus. O Papa Francisco, desde o começo do seu papado, tem se encontrado com líderes ortodoxos e de outras igrejas e religiões.

    Esteve presente ainda na missa o arcebispo católico romano de São Paulo, Dom Odilo Scherer e o prefeito da cidade Fernando Haddad. O arcebispo chegou atrasado e não participou da celebração.

    O governador do Estado, Geraldo Alckmin, também compareceu a coquetel realizado em seguida, aberto apenas aos religiosos, aos políticos e à imprensa oficial.